A NEGAÇÃO DA CIÊNCIA NA RETÓRICA POPULISTA ANTISSISTEMA

Carla Montuori Fernandes, Luiz Ademir de Oliveira, Fernando Resende Chaves

Resumo


Resumo

O artigo tem como objetivo realizar uma retomada conceitual do populismo anticiência, revisitando autores nacionais e internacionais que pontuam como o binarismo “nós” versus “eles” que caracteriza o movimento, desloca-se das elites políticas e concentra-se nas elites científicas, retratando-as como antagonistas das pessoas comuns e dos líderes políticos. O estudo parte da premissa que o populismo contra a ciência remete a um estilo político performático que surge em contextos de crises democráticas e que se manifesta em uma descrença generalizada nas instituições tradicionais. O artigo usa como metodologia a pesquisa bibliográfica e elenca algumas vertentes clássicas (MINKEMBERG, 1998; BETZ, 1993; MUDDE, 2000; MOUFFE, 2000, LACLAU, 2005) e contemporâneas do populismo (GERBAUDO, 2018; DIBAI, 2018; CESARINO, 2020; MEDE e SCHÄFER, 2020). Os resultados apontam que o populismo anticiência é um movimento que deriva do caráter do populismo contemporâneo, que emerge em contexto de crises institucionais.

Palavras-chave


Populismo; Negação da Ciência; Política; Mídia; Redes Sociais on-line.

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DOI: https://doi.org/10.18224/mos.v15i1.8975

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