ASPECTOS DEMOGRÁFICOS E SOCIAIS DE UMA IRMANDADE DE PARDOS: OS FREGUESES DA IGREJA DE SÃO GONÇALO GARCIA
DOI:
https://doi.org/10.18224/hab.v21i2.13898Palavras-chave:
São Gonçalo Garcia, população parda, irmandades, Rio de Janeiro, Registros paroquiaisResumo
Igrejas e irmandades dedicadas a santos pardos instaladas no Rio de Janeiro vem recebendo pouca atenção por parte dos pesquisadores tanto no que se refere ao perfil demográfico dos irmãos quanto a uma melhor compreensão do seu papel religioso e social nos períodos colonial e imperial. Esta era a situação observada para os fregueses da igreja de São Gonçalo Garcia, agravada pela ausência do seu estatuto Compromissal. A análise dos 556 registros de óbito da freguesia do Santíssimo Sacramento, no entanto, possibilitou o conhecimento de vários aspectos sobre a sua identidade, sendo um ponto relevante o fato de formarem um coletivo bastante diversificado, revelando um compromisso pouco rígido quanto às regras de ingresso na irmandade. Verificou-se, ainda, a estreita relação entre os assuntos da fé e da sociabilidade com a ordenação e ocupação de um espaço então desabitado, desvalorizado e insalubre.
Downloads
Referências
AGUIAR, J.R. Os Arias Maldonados: Vocabulário de cor e ascensão social na freguesia de São Gonçalo, RJ, século XVIII. XII Encontro Estadual de História ANPUH/RS – UNISINOS. 2014.
ANTONIL, A.J. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas. Brasília: Senado Federal, Conselho editorial, 2011.
ARIÈS, P. História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1981.
BACCI, M.L. 500 anos de demografia brasileira: uma resenha. Revista Brasileira de Estudos de População, v. 19, n. 1, p. 141-159. 2002.
BASSANEZI, M.S.C.B. Registros paroquiais e civis: os eventos vitais na reconstituição da história. In: PINSKY, Carla Bassanezi; LUCA, Tânia Regina. O Historiador e suas fontes. São Paulo: Contexto, 2009. p. 141-172.
BOSCHI, Caio César. Os Leigos e o Poder: irmandades leigas e política colonizadora em Minas Gerais. São Paulo: Ática, 1986.
BRETTELL, C.B. Homens que partem, mulheres que esperam – Consequências da emigração numa freguesia minhota. Lisboa: Etnográfica Press, 1991.
CAMILO, N. O uso de registros paroquiais como possibilidade de combinação de estudos quantitativos com estudos de trajetórias individuais: um exercício aplicado às práticas de nominação. Revista Vernáculo, v. 38, p. 156-188. 2016.
COARACI, V. Memórias da cidade do Rio de Janeiro – quatro séculos de histórias. Rio de Janeiro: Documenta Histórica, 2008.
COSTA, I.N. Registros paroquiais: notas sobre os assentos de batismo, casamento e óbito. Revista de História, v. 1, 46-54. 1990.
DA VIDE, Sebastião Monteiro. Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia. Coimbra: Colégio das Artes da Companhia de Jesus, 1707.
DEMETRIO, D.V. Assentos de batismo de escravos: críticas às fontes e metodologia. Primeiros Escritos, v. 13, p. 1-15. 2008
DIAS, M.O.S. Nas fímbrias da escravidão urbana: negras de tabuleiro e de ganho. Estudos Econômicos, v. 15, p. 89-109. 1985.
FARIA, S.C. A colônia em movimento: fortuna e família no cotidiano colonial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.
FARIA, S.C. Cotidiano do negro no Brasil escravista. In: GALLEGO, José Andrés. Tres Grandes Cuestiones de la Historia de de Iberoamérica. Madrid: Fundación Mapfre Tavera - Fundación Ignacio Larremendi, 2005. p. 1-163.
FLORENTINO, Manolo. Em costas negras: uma história do tráfico de escravos entre a África e o Rio de Janeiro, séculos XVIII e XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
GOMES, F. A demografia atlântica dos africanos no Rio de Janeiro, séculos XVII, XVIII e XIX: algumas configurações a partir dos registros eclesiásticos. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, 19 (supl.), p. 81-106. 2012.
KARASCH, M. A vida dos escravos no Rio de Janeiro, 1808-1850. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
LESSA, A. (2022). Bioarqueologia em contextos pós-contato: estado da arte e reflexões sobre os estudos com remanescentes humanos no Brasil. In SYMANSKI, C.P.; SOUZA, M.A.T. Arqueologia Histórica Brasileira. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2022. p. 237-272.
LESSA, C. Os Lusíadas na aventura do Rio moderno. Rio de Janeiro: Editora Record, 2002.
LIBBY, D.C.; BOTELHO, T.R. Filhos de Deus – Batismos de crianças legítimas e naturais na Paróquia de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto, 1712-1810. Varia Historia, v. 31. P. 69-96. 2004.
LIRYO, A.; SOUZA, S.M.; COOK, D.C. Dentes intencionalmente modificados e etnicidade em cemitérios do Brasil colônia e Império. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, v. 21, p. 315-334. 2011.
LUCCOCK, J. Notas sobre o Rio de Janeiro. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1975.
MARCÍLIO, M.L. Mortalidade e morbidade na cidade do Rio de Janeiro Imperial. Revista de História, v. 127, p. 53-68. 1993.
MARCÍLIO, M.L. Os registros paroquiais e a História do Brasil. Varia Historia, v. 31, p. 13-20. 2004.
MARIANO FILHO, A. A história do Martir São Gonçalo Garcia extraída do “Flos Sanctorum” do padre Ribadaneira (1761). Rio de Janeiro: Venerável Confraria dos Mártires São Gonçalo Garcia e São Jorge, 1931.
MARQUES, R.S. Meninos no limbo: escravidão, faixas etárias e atribuições sociais: São Francisco de Paula (1812-1834). Revista Vernáculo, v. 29, p. 121-139. 2012.
MAURÍCIO, A. Templos Históricos do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Gráfica Laemmert, 1946.
MOURA FILHO, H.P. Uma perspectiva demográfica sobre a família no Rio de Janeiro colonial. Conference paper. XXVI Simpósio Nacional de História, São Paulo, 2011.
PEREIRA, J.C.M. À flor da terra: o cemitério dos pretos novos no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Garamond, 2007.
REIS, J. J. A Morte é uma festa. Ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
REIS, J.J. Identidade e Diversidade nas irmandades negras no tempo da escravidão. Tempo, v. 2, n. 3, p. 7-33. 1996.
ROSENDAHL, Z. Espaço e Cultura: Pluralidade Temática. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2012.
RUSSELL-WOOD, A.R. Escravos e libertos no Brasil colonial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.
SCHLESINGER, H.; PORTO, H. Crenças, seitas e símbolos religiosos. São Paulo: Paulinas, 1983. P.228.
SCOTT, A.; SCOTT, D. Análise quantitativa de fontes paroquiais e indicadores sociais através de dados coletados para sociedades de Antigo Regime. Mediações Revista de Ciências Sociais, v. 18, n. 1. p. 106-124. 2013.
SOARES, M.C. Devotos da Cor. Identidade étnica, religiosidade e escravidão no Rio de Janeiro, século XVIII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.
TEIXEIRA, F.M.P.; DANTAS, J. Estudos de História do Brasil, Volume I – Colônia. São Paulo: Editora Moderna, 1974.
TOGNOLI, N.B.; FERREIRA, E.S. 2017. Os arquivos eclesiásticos e a arquivística brasileira: uma análise dos artigos publicados nos periódicos arquivísticos brasileiros. Agora, v. 54, n. 37, p. 7-28. 2017.
VENANCIO, R.P. Antes da Corte: população e pobreza no Rio de Janeiro, c.1763-c.1808. Antíteses, v. 6, n. 11, p. 10-28. 2013.
VIANA, L. O idioma da mestiçagem. Campinas: Editora Unicamp, 2007.
WALSH, R. Notícias do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1985
ZAMPA, V.; SCHETTINI, V. Arquivo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro – Registros paroquiais e possibilidades na pesquisa em história (séculos XVIII e XIX). Revista Acervo, v. 36, n. 3, p. 1-34. 2023.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2024 Andrea Lessa
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NoDerivatives 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 BY NC ND que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho on-line (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja Manifesto Brasileiro de Apoio ao Acesso Livre à Informação Científica).