Chamada para publicações em 2024 - Dossiês Temáticos

06.06.2024

Volume 14, n. 1, 2024

LITERATURA DE AUTORIA FEMININA: MEMÓRIA E RESISTÊNCIA

Prazo para Submissão de artigos:
agosto de 2024

A profusão de uma produção literária de autoria feminina publicada nos últimos anos fez com que a crítica literária lançasse olhar sobre o fenômeno, demonstrando que é preciso ampliar o campo de estudo sobre o tema, no passado e no presente. Questões importantes, como classe, raça e gênero, abriram espaços de reivindicação, reflexão, tensão e debate em vários campos, a exemplo da manifestação e concretização da inclusão efetiva de mulheres negras, indígenas nas pautas dos movimentos feministas (COLLINS, 2019).

No entanto, todas essas questões esbarram no problema da questão de gênero que, segundo Chimamanda Ngozi Adichie (2015), prescreve como as mulheres devem ser em vez de reconhecer a sua individualidade, e faz com carreguem o peso das expectativas do gênero. Vozes da teoria decolonial, como Franzt Fanon, Maria Lugones, Ochy Curiel, entre outros, se somam na exposição e denúncia da percepção binária do mundo difundida a partir das colonizações nas Américas. Ocorre que essa dicotomia se propagou por diversas áreas, reverberando e estruturando relações políticas, divisão do trabalho, espaços das subjetividades e, conforme as feministas decoloniais, repercutem também nas questões de sexo e de gênero.

Nesse sentido, o v. 14, n. 1, 2024, da Guará – Revista de Linguagem e Literatura abre espaço para receber textos oriundos de pesquisas pautadas pelo cruzamento entre os estudos literários e os estudos feministas e de gênero, a partir de múltiplas abordagens da produção literária escrita por mulheres, no Brasil e no mundo, considerando temáticas como: Feminismos plurais; Feminismo negro e decolonial; Transfeminismo; Autorrepresentação na literatura escrita por mulheres; e aquelas que envolvam um debate interseccional de gênero, raça e classe. Além de receber artigos para a Temática Livre, Contos e Poemas, desde que estejam alinhados ao escopo da revista.

 

Volume 14, n. 2, 2024

DOSSIÊ: POÉTICAS DA ECOCRÍTICA E IMAGINÁRIO

Organizadores:

Profª Drª Isabel Ponce de Leão (Universidade Fernando Pessoa, Porto Portugal)
Prof. Dr. Antonio Donizeti da Cruz (Universidade Estadual do Oeste do Paraná e PUC Goiás)
Pra. Dra. Maria de Fátima Gonçalves Lima (PUC Goiás)

Prazo para Submissão de artigos: novembro de 2024

A ecocrítica é corrente estética e literária que busca refletir a arte da palavra (poesia ou prosa) em sua imersão nas questões abordam o homem e sua conexão com:  a natureza, a cultura e sociedade que habita sendo, inclusive, responsável ética e moralmente. A teoria do Ecocriticismo, propulsionada por uma consciência universal de crise, demonstra sua preocupação com os aspectos éticos, os compromissos e os impactos ambientais, propondo-se a estudar, sob os prismas estéticos e culturais, as manifestações artísticas contemporâneas que se delineiam das problematizações do meio ambiente que se deteriora lentamente, graças às intervenções humanas nas três ecologias a que se refere Félix Guattari: a do meio ambiente, a das relações sociais e a da subjetividade humana, sob o viés das artes e da poética do imaginário.

À Ecocrítica, é dada a oportunidade de buscar, analisar e dar voz ao silêncio das coisas da natureza e do mundo exterior; graças aos estudos culturais e pós-estruturalistas onde houve a descentralização das abordagens, ou seja: a mudança da perspectiva homocêntrica para ecocêntrica. Para a ecocrítica, a natureza realmente existe, além de nós mesmos, não precisando ser ironizada como um conceito por enclausuramento entre aspas, mas realmente presente como uma “entidade” que nos afeta, e que podemos afetar, talvez fatalmente, se nós a maltratamos. A natureza, então, não é redutível a um conceito que concebemos como parte de nossa prática cultural.” (BARRY, 2009, p. 252).  A abordagem do Ecocriticismo permeia todos os elementos do universo e da natureza, quer seja nos aspectos da fauna, da flora, assim como o espaço e as características pertinentes. Ao considerar que toda experiência advém do sujeito que habita cada pele, este é, também, mote da ecocrítica que configura, ainda a maneira de sentir, de ser e de estar no mundo e aciona o imaginário.

As teorias do imaginário, a fenomenologia do imaginário e da imaginação que marcam a magia das imagens da arte da palavra. As proezas das palavras vão além da expressão do pensamento. A imaginação não é, como sugere a etimologia, “a faculdade de formar imagens da realidade; é a faculdade de formar imagens que ultrapassam a realidade, que cantam a realidade”. Maffesoli aponta   que “o imaginário é o estado de espírito de um país, de um grupo, de um país, de um estado, nação, de uma comunidade, etc.” (MAFFESOLI, 2001, p.76).

Nessa acepção, a “fenomenologia da imaginação” não se contenta “com uma redução que transforma as imagens em meios subalternos de expressão”. Ela “exige” que vivamos diretamente as imagens, que as consideremos como acontecimentos súbitos da vida. Para Gilbert Durand (1993), a imaginação se define como “uma reação defensiva da natureza contra a representação da inevitabilidade da morte, por meio da inteligência” (DURAND, p. 98).  É também o milagre da “obra de arte” e da linguagem em ação, em sua ação performativa.  É a eficácia da arte literária com sua força de transcendência, voz, contemplação, abrangência, vida, salvação, força que edifica e revigora o homem frente às vicissitudes da vida É também “milagre” da linguagem literária, plurissignificante e imagética, pois sua voz ressoa numa corrente ininterrupta, ad infinito. O v. 14, n. 2, 2024, da Guará – Revista de Linguagem e Literatura, acolhe artigos que abordem análises das relações entre a literatura e questões ecológicas, e textos teóricos, cujas discussão estejam voltadas para essa produção.