TELEVISIONANDO AS SESSÕES DO STF NA ERA DO ESPETÁCULO

Letícia Pereira Pimenta

Resumo


Na democracia, ter visibilidade desde sempre é fundamental. A constante aparição nos meios de comunicação, imbuído de um caráter teatral, dá uma impressão de transparência, ou seja, pressupõe uma espécie de prestação de contas que soa essencial à democracia. Deste modo, os atores sociais em interação e disputa por poder no espaço político decisório têm de reelaborar e ressignificar suas estratégias comunicativas, de modo a alterar seus discursos consoante os recursos disponíveis e os interesses buscados. O objetivo é analisar a atenção que os especialistas têm dedicado ao Tribunal, que a cada decisão torna-se mais presente na vida das pessoas. Raros são os dias em que as decisões do Tribunal não se tornam manchete nos principais jornais brasileiros. Sendo assim, o Supremo tem se tornado objeto privilegiado de muitos autores, dentre eles Antoine Garapon, que analisa detidamente em sua obra o papel do televisionamento das decisões judiciais. Órgão máximo do Judiciário, o Supremo é uma instituição com crescente visibilidade, que cobre uma sequência de casos com forte apelo social, político e midiático. A exposição é de tal proporção que alguns ministros se tornaram personagens conhecidos da grande parte dos cidadãos brasileiros. A cada vez que o STF decide uma questão controversa, surgem uma míriade tanto de críticas quanto de elogios. O dever de fundamentar as decisões faz com que o Judiciário estabeleça um diálogo direto e explícito com a sociedade.

Palavras-chave


democracia, televisionamento, espetáculo

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DOI: http://dx.doi.org/10.18224/pan.v9i1.7496

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PANORAMA | Comunicação Social | Pontifícia Universidade Católica de Goiás | e-ISSN 2237-1087 | Qualis B4

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