Edições anteriores

2021

v. 14, n. 2 (2021): HISTÓRIA DA LOUCURA

A Revista Mosaicos está reunindo artigos para o Dossiê História da Loucura que tem por referência principal a obra homônima de Michel Foucault. O significado principal disso é que a loucura é, em primeiro lugar e acima de tudo, um acontecimento cultural pelo qual atravessam os vieses do poder. A loucura aconteceu, no Ocidente, como uma das principais maneiras de apartação dos sujeitos em apenas dois lados. Daí que a loucura seja um dos principais temas numa história dos modos de constituição da subjetividade. Mas, é importante destacar que uma das principais heranças dessa obra de Foucault aconteceu com uma publicação de Robert Castel, A Ordem Psiquiátrica: a Idade de Ouro do Alienismo, seguida por uma obra em coautoria com Françoise Castel e Anne Lovell, Sociedade psiquiatrizada avançada, o modelo norte-americano. Nessas duas obras, o conceito de psiquiatrização da sociedade permite ver que a história da loucura da contemporaneidade alcança a sociedade global na mesma direção que a psiquiatria avança sobre o social, muito para além dos muros do hospício. Tomadas essas referências principais, estamos chamando textos que se ocupem não apenas com a história das instituições asilares, mas também da filosofia, dos saberes, da sociedade, da arte (a música, a literatura, a poesia, o cinema, a fotografia, a pintura, o teatro, a arquitetura etc) enquanto desafiados pela loucura. Temas muito caros seriam também a psiquiatrização da criança, sobretudo na e pela escola; e a psiquiatrização da adolescência, sobretudo pela socioeducação, pelo policiamento, pela institucionalização punitiva. Por fim, também merecem grande interesse as pesquisas atentas à história regional, na medida em que aterrizam a história da loucura nos problemas da sociedade local e na tal modernização de nossos territórios.

v. 14, n. 1 (2021): CIDADES, HISTÓRIA E TERRITÓRIOS

A chamada para o dossiê “Cidades, história e territórios” abre espaço para reflexões sobre as cidades, suas memórias e patrimônios culturais edificados e imateriais. Também interessam aquelas abordagens sobre as características sociais e culturais desses espaços e seus territórios, retratando os sujeitos e representações sociais presentes ao longo da história. São abordagens que buscam discutir e refletir sobre as temporalidades, os sujeitos silenciados, os modos de narração e as práticas historiográficas, além das fontes documentais e história oral. Outras abordagens transversais interessam-nos tendo em vista as possibilidades de diálogo entre as manifestações materiais e imateriais que correlacionam história e cidade, tendo em vista as contribuições da historiografia para melhor compreender as questões urbanas, suas dinâmicas e desafios no contexto contemporâneo e as ressignificações ao longo do tempo.

2020

v. 13 (2020): ARQUEOLOGIA E PAISAGEM

O dossiê Arqueologia e Paisagem foi organizado com o objetivo de reunir trabalhos envolvendo a paisagem por meio de abordagens arqueológicas, sem que tivéssemos um compromisso estrito com recortes regionais, temporais, teóricos ou metodológicos. Traz essa proposta a vontade de transpor fronteiras tradicionalmente estabelecidas e, com isso, nos fazer olhar para o lado. Nossa crença é que a partir desse tipo de experiência podemos encontrar outras maneiras de interpretar as interações das pessoas com a paisagem. Nesse sentido, os artigos apresentam interface com a geociências, botânica, arquitetura, museografia, etnologia e conservação. A partir da vibrante abordagem envolvendo Arqueologia e Paisagem, convidamos os leitores a uma leitura pensando para além dos seus interesses de pesquisa mais imediatos. Estamos certos de que assim procedendo irão encontrar novas e produtivas possibilidades para pensar a paisagem por meio de uma perspectiva arqueológica.

v. 13 (2020): NOVAS PERSPECTIVAS DA RELIGIOSIDADE POPULAR

Normalmente encarado a partir de um olhar versado sobre a comparação das práticas religiosas populares com os modelos oficiais do que uma dada instituição religiosa pretende em seus cânones, a religiosidade popular foi ao longo do século 19 definida por tudo aquilo que “manifestasse o supersticioso, o grosseiro, o curioso e o vulgar.” (CÉSAR, 1976) Ainda no século XX, todavia, não é raro encontrarmos interpretações acadêmicas que desqualificam a religiosidade popular com atributos como “crendice do povo”, “paranoia”, “obsessão generalizada”, “comportamento sacrílego”, “religiosidade acrítica e emocional”, “engodo” e “primarismo acrítico”.
Por um lado, muitas dessas adjetivações advêm das oposições rígidas entre sagrado/profano, magia/religião, fé/superstição que ainda permeiam os referenciais teóricos acadêmicos. Elas têm se mostrado bastante limitadas quando o pesquisador se empenha em analisar o cotidiano da religiosidade popular. Por outro, as novas relações e novos movimentos religiosos presentes no mundo contemporâneo induz os pesquisadores do assunto desafios cada vez maiores para se pensar a amplitude do conceito de religião e/ou religiosidade popular em suas infinitesimais dinâmicas.
Em face disso, o presente dossiê propõe-se a reunir contribuições acadêmicas das mais diversas matizes quereflitam acerca da religião e religiosidade popular, de modo a se pensar de como as novas e tradicionais perspectivas do estudos da religião têm contribuído para abrir novas formas de leitura da religiosidade e religião popular na América Latina.

v. 13 (2020): ESPECIAL: ARQUÉTIPOS, MITO E ARTE NAS PERFORMANCES CULTURAIS

O dossiê “Mito, arquétipo e arte nas Performances Culturais”, coordenado pelos doutorandos Luana Lopes Xavier, Ivan Vieira e pela professora Dra. Nádia Maria Weber Santos, do PPG em Performances Culturais da UFG, tem por objetivo apresentar e interpretar os diversos sistemas simbólicos em que se inserem os processos imagéticos contidos nas Performances Culturais. Estes sistemas são nomeados como mitologias ocidentais e orientais, contos de fada, folclore, cosmogonias e mitologias religiosas, astrologias, alquimia e outros sistemas culturais da representação humana. Os artigos apresentam e discutem alguns sistemas simbólicos, incluindo os símbolos universais, isto é, arquetípicos, relacionando-os às temáticas e aos objetos de pesquisa de seus autores. As discussões teóricas dos artigos são direcionadas a autores das Performances Culturais bem como a teóricos estudados na disciplina e aprofundados nos artigos, como o filósofo neo-kantiano Ernst Cassirer e o pensador da psique, original e revolucionário no século XX, Carl Gustav Jung. Alguns conceitos trabalhados na disciplina são explorados pelos autores na inter-relação com seus objetos de estudo, entre eles: sistemas simbólicos, imagens míticas, mitologema, arquétipos e símbolos arquetípicos. Partindo da indagação “como pensar as imagens arquetípicas na produção imagética contemporânea e qual a relação entre imagem, ação e Performance”, os artigos percorrem o caminho da tentativa de interpretação de algumas destas imagens, correlacionando sempre psique individual e psique coletiva.

2019

v. 12 (2019): Congadas: Memória e Tradição Afro-Brasileira

Um dos muitos resultados da diáspora africana é a presença de reis negros nas Américas, representantes de grupos étnicos específicos, presentes no interior de quilombos e de irmandades católicas negras. Nessas irmandades também os reis negros se tornam referências daquilo que no Brasil, tempos depois, resulta nos festejos das Congadas. Os estudos das situações em que existiram esses reis nas Américas esclareceram como africanos e europeus interagiram no contexto da colonização americana sob um regime escravista criando novas perspectivas para se reescrever a história desse período dando voz a outros protagonistas do processo de construção da nação brasileira. O dossiê “Congadas: memória e tradição afro-brasileira” abordará estudos sobre a memória da Brasil escravocrata sob a perspectiva dos festejos que nasceram em terras brasileiras mas que tem raiz africana, festejos estes que devem ser entendidos também como espaço de resistência, e berço de ressignificações simbólicas que proporcionaram aos seus fiéis a possibilidade de se reafirmar enquanto africanos. Com ênfase nas irmandades negras, na Congada e nos vários desdobramentos que a mesma recebeu de acordo com cada região do país em que esse festejo é comemorado. Concebemos que discutir temas como este em uma perspectiva histórica é, acima de tudo, discorrer sobre memórias, tradições e religiosidade afrobrasileira. Assim, o presente dossiê visa fomentar discussões acerca do tema proposto presente em diferentes estados do Brasil, e convida autores a submeterem artigos que tratem dessa questão por meio de pesquisas de campo, etnográficas ou com vivência respaldada pelo meio acadêmico.

v. 12 (2019): Materializando a História: o Passado Humano através da Cultura Material

A História se manifesta nas sociedades humanas, principalmente, na forma de documentos escritos, de materiais imagéticos e na sua forma oral. Entretanto, neste dossiê apresentaremos outro aspecto deste registro: o material. O dossiê Materializando a História: o passado humano através da cultura material abordará estudos sobre vestígios arqueológicos como artefatos em líticos, cerâmicas, louças, vidros e metais, ou estruturas como edificações e modificações físicas na paisagem.

Concebemos a materialidade humana enquanto elemento de subjetivação; assim como a única categoria de análise que perpassa pelos longínquos contextos temporais, desde períodos totalmente desvinculados das memórias vivas, até os tempos atuais; a entendemos igualmente como elemento dinâmico nos contextos humanos, com potencialidade de captar particularidades da alteridade humana; enquanto inerente às sociedades humanas, ela é constituída de símbolos e, portanto, além de seu aspecto funcional tem potencial para agenciar o modo pelo qual sociedades humanas organizam e avocam a própria vida social.

Nesta perspectiva, o presente dossiê visa fomentar discussões acerca da materialidade presente em diferentes sociedades e períodos temporais e convida autores a submeterem artigos que tratem dessa questão por meio de dados coletados em campo, estudo de coleções e/ou sítios.

2018

v. 11 (2018): Práticas Culturais e Identitárias: entre o Oriente e o Ocidente (Século V-XV)

A confluência cultural, as disputas pela ocupação dos espaços, a miscigenação e o estranhamento, marcaram a vivência entre as populações do oriente e ocidente durante toda a Idade Média. Se por um lado as guerras aceleraram este distanciamento, por outro as aproximações foram várias; incentivadas pelas peregrinações e trocas culturais intensas, que garantiam a flexibilidade identitária e a elaboração de novos significados e parâmetros. Uma interpretação dos indícios deixados pelo tempo nos apresentam diversas possibilidades de análise, que perpassam os fazeres cotidianos dos homens de uma determinada época.

v. 11 (2018): Crenças e Representações Religiosas na Cultura Contemporânea

Crenças e representações religiosas são historicamente contextualizadas. Marcadas por complexidades e ambiguidades, no Brasil, por exemplo, elas são oriundas de diversas matrizes culturais – indígenas, africanas, europeias etc. – e formadas a partir da sedimentação de várias camadas temporais. Por causa disso, elas passaram por modificações, simbioses, extinções, caracterizando-se por uma multiplicidade étnica e geográfica. Portanto, há numerosos exemplos de festas, rituais, movimentos devocionais e espiritualidades que emergiram dentro, nas fronteiras ou nas margens da liturgia oficial dos cultos religiosos institucionalmente dominantes. Assim, tanto o catolicismo romano, como o protestantismo histórico, no contato com as crenças e práticas religiosas de origem africanas ou ameríndias, sofreram alterações ou adaptações litúrgicas acarretadas pela especificidade do meio cultural brasileiro. O objetivo desse Dossiê é reunir artigos que abordem as crenças e as expressões religiosas em sua diversidade, antigas e contemporâneas, originadas na fronteira do cânone hierárquico das religiões institucionalizadas e possam, assim, ser caracterizadas a partir da especificidade das culturas, nas quais surgiram.

2017

v. 10 (2017): Gênero e Negritude

Nesse dossiê acolhemos trabalhos que refletem sobre as experiências históricas, cotidianas, contingenciais que se constituíram por meio dos modos de ser e fazer de diferentes grupos sociais, cruzados e mediados pelos de gênero, negritudes, e/ou processos de racializações. Apresenta contribuições que levantam questões políticas e epistemológicas que influenciam a construção histórico-social e cultural dos sujeitos.

v. 10 (2017): Dossiê Sobre Coisas e Trajetórias

O objetivo deste dossiê consiste em congregar trabalhos que tenham como ponto de partida o mundo das coisas, isto é, a diferente gama de objetos que historicamente circunscrevem nossos cotidiano enquanto produtos humanos. Deste modo, tais coisas são assumidas como síntese simbólica de relações que foram sendo tecidas no tempo. Para além de uma variedade de objetos "bons para pensar", dentre o supérfluo, o comercialmente relevante ou aquilo que parece insignificante, busca-se, neste dossiê, permitir que venha à luz a diversidade de temáticas que os objetos podem suscitar, seja questões de gênero, religiosas, políticas, econômicas, culturais, tomando a trajetória das coisas ou trajetórias que levaram às coisas ou ainda as relações que assumimos com elas ao longo do tempo como centro do debate.

2016

v. 9, n. 2 (2016): Dossiê Coleções, museus e patrimônios das culturas negras

A intenção do dossiê é reunir artigos que problematizem questões ligadas às coleções, aos museus e aos patrimônios das culturas africanas e de sua diáspora. No intuito de refletir sobre os usos plurais dos museus, as políticas da memória e as diferentes escritas da História e da Museologia, priorizará trabalhos teóricos e estudos de caso que abordem patrimônios das culturas negras em suas dimensões culturais, naturais, tangíveis e intangíveis. Pretende, também, acolher reflexões sobre colecionismo, cultura material, trajetórias de vida, saberes, discursos e relações de poder com enfoque para as expressões culturais afro-brasileiras, bem como para as políticas de patrimonialização daí resultantes.

v. 9, n. 1 (2016): Dossiê: Resistência e Dominação nas Relações Sociais Contemporâneas

O dossiê temático “Resistência e Dominação nas Relações Sociais Contemporâneas” tem como proposta reunir artigos que correspondam a pesquisas sobre as diversas formas pelas quais os sujeitos sociais relacionam-se, de um lado, por meio da dominação, e do outro lado através da resistência. Serão contemplados os artigos que apresentarem pesquisas finalizadas, ou em curso, que tenham como eixo temático os processos de constituição e perpetuação de relações sociais de dominação ou de mobilização coletiva contra determinadas ordens sociais no mundo contemporâneo, englobando assuntos como: relações de trabalho, movimentos sociais, relações econômicas, relações de classe, processos de formação e de disciplinamento do espaço urbano e da vida cotidiana, estratégias de dominação e de resistência