CENTRO DE TRADIÇÕES NORDESTINAS (CTN): REFLEXÕES SOBRE A PRESERVAÇÃO DA CULTURA NORDESTINA EM DOURADOS-MS

Clecita Maria Moises

Resumo


Este trabalho pretende fazer uma análise da trajetória do Centro de Tradições Nordestinas da cidade de Dourados-MS, fundado em 1994 com o propósito de preservar as tradições consideradas representativas do Nordeste, sob a alegação de que estas teriam desaparecido na sociedade local. Ao longo do texto, questiona-se se o trabalho realizado pela entidade, limita-se, de fato, à salvaguarda de bens culturais imateriais, ou se está realiza a “invenção de tradições”, muito recorrentes nas atividades de instituições culturais do gênero. Para tanto, lança-se mão de um conjunto variado de fontes, com destaque especial à História Oral. Com base nas entrevistas e na documentação coletada, questiona-se quem são os sujeitos envolvidos na direção do CTN, quais os motivos para sua criação e quais os significados de seus eventos para os membros da entidade.

Palavras-chave


História Oral; Memória; Cultura; Identidade; Patrimônio Cultural.

Texto completo:

PDF

Referências


Os Bens Culturais de Natureza Imaterial dizem respeito àquelas práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e nos lugares (como mercados, feiras e santuários que abrigam práticas culturais coletivas). (Disponível em:acesso em:27 de junho de 2014);

[...], uma pesquisa de história oral pressupõe sempre a pertinência da pergunta “como os entrevistados viam e veem o tema em questão?”. Ou: “O que a narrativa dos que viveram ou presenciaram o tema pode informar sobre o lugar que aquele tema ocupava (e ocupa) no contexto histórico e cultural dado? (ALBERTI. 2004. p, 30);

“... nem todos os nordestinos que procuravam a CAND eram fugitivos da seca, alguns eram proprietários no Nordeste.” (SOUZA. 2003. p. 15);

“...a ausência de um passado conhecido e reconhecido, à míngua de um passado, pode também ser fonte de grandes problemas de mentalidade ou identidade coletivas.” (LE GOFF. 1994. p. 11);

“essas modificações revelam os esforços dos narradores em buscar sentido no passado e dar forças às suas vidas e colocar a entrevista e as narrativas no seu contexto histórico”. (PORTELLI. 1994, p. 11);

“à recuperação da memória social por parte dos historiadores faz dela um objeto de saber.” (LE GOFF. 1994. p. 11);

“a entrevista de história oral é resíduo de uma ação específica, qual seja, a de interpretar o passado.” (ALBERTI. 2004ª. p. 25);

Em cada estágio, as histórias de vida articulam os significados da experiência e sugerem maneiras de enfrentar a vida. Quando registramos estas histórias, não captamos apenas evidências inestimáveis sobre a experiência anterior e as histórias vividas. As próprias histórias representam a constante evolução dos modos pelos quais os migrantes constroem suas vidas através de suas histórias. (THOMSON. 2002. p. 359);

“a atomização de uma memória geral em memória privada dá à lei da lembrança um intenso poder de coerção interior. Ela obriga cada um a se relembrar e a reencontrar o pertencimento, princípio e segredo da identidade. Esse pertencimento, em troca, o engaja inteiramente.” (NORA. 1993. p. 10);

“Uma vez que a identidade muda de acordo com a forma como o sujeito é interpelado ou representado, a identificação não é automática, mas pode ser ganha ou perdida.” (HALL. 2006, p. 01);

Um tipo diferente de mudança estrutural está transformando as sociedades modernas no final do século XX. Isso está fragmentando as paisagens culturais de classe, gênero, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade, que, no passado, nos tinham fornecido sólidas localizações como indivíduos sociais. Essas transformações estão também mudando identidades pessoais, abalando a ideia que temos de nós próprios como sujeitos integrados. Esta perda de ‘sentido de si’ estável é chamada, algumas vezes de deslocamento ou descentração do sujeito. (HALL. 2006. P.01)

“Ela se alimenta de jogos identitários no presente, aos quais se submete ao passado.” (CANDAU. 2012. P. 137).

“um conjunto de práticas normalmente reguladas por regras tácitas ou abertamente aceitas.”; “inculcar certos valores e normas de comportamento através da repetição, o que implica, automaticamente, uma continuidade em relação ao passado.” (HOBSBAWM E RANGER. 1984. p. 09);

“onde não se obtém vitorias definitivas, mas onde há sempre posições estratégicas a serem conquistadas ou perdidas.” (HALL, 2003. p. 239);

“uma estória que localiza a origem”, (HALL. 2006. p. 54);

“uma referência aos critérios de aceitabilidade, de admissibilidade, de credibilidade”, (POLLAK. 1992. p. 205);

Os lugares de memória nascem e vivem do sentimento que não há memória espontânea, que é preciso criar arquivos, organizar celebrações, manter aniversários, pronunciar elogios fúnebres, notariar atas, porque estas operações não são naturais. (NORA. 1993. p. 13);

"(...) o modo como em diferentes lugares e momentos uma realidade social é constituída, pensada, dada a ler", (CHARTIER. 1990. p. 16-17);

“mundo social [que] é representação e vontade, existir socialmente é ser percebido como distinto." (BOURDIEU. 1998. p. 112);

A história não é todo o passado, mas também não é tudo aquilo que resta do passado. Ou, se o quisermos, ao lado de uma história escrita, há uma história viva que se perpetua ou se renova através do tempo e onde é possível encontrar um grande número dessas correntes antigas que haviam desaparecido somente na aparência. (HALBAWCHS. 1990. p. 45).




DOI: http://dx.doi.org/10.18224/mos.v12i1.7068

Rodapé - Mosaico
 

Este obra está licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição Sem Derivações 4.0 CC BY-NC-ND

MOSAICO | Programa de Pós-Graduação em História | Pontifícia Universidade Católica de Goiás | e-ISSN 1983-7801 | Qualis CAPES Preliminar 2019 = A3

Visitantes - (05/09/2017 - 03/12/2019)

Fonte: Google Analytics.