AS MÃOS QUE FAZEM O TRANÇADO – IDENTIDADE E MEMÓRIA NA PRODUÇÃO DE MODA EM SALVADOR-BA NA VIRADA PARA OS ANOS 2000

Maria Salete de Souza Nery

Resumo


Ainda que os trabalhos de designers de moda estejam significativamente atrelados a uma idéia corrente de criatividade individual, é possível perceber, via observação e comparação, certos direcionamentos coletivos nas produções, compreensíveis ao se desvelar esse indivíduo criativo como preso a uma extensa malha de relacionamentos, que tanto proporciona aberturas e oportunidades quanto constrangimentos e tensões. A hipótese de partida para esse estudo é a de que uma idéia de identidade local, diga-se baiana, comparece como um desses direcionamentos que tem amarrado diferentes produções de vestuário em Salvador, conformado-as num conjunto em grande medida discernível, apesar das singularidades de cada produção tomada em particular. Indicar a identidade como um vetor de proximidade entre esses trabalhos significa discutir de que modo essa temática passou a ganhar espaço nos projetos individuais de composição do vestuário. O objetivo deste trabalho, portanto, é discutir essa chamada "moda baiana" na virada para os anos 2000, período em que uma série de iniciativas advindas de diferentes agentes, inclusive públicos, ganha maior visibilidade no que se refere à valorização de um vestuário de tom local.

Palavras-chave


Vestuário. Moda. Identidade. Bahia

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DOI: http://dx.doi.org/10.18224/mos.v10i0.5454

 

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MOSAICO | Programa de Pós-Graduação em História | Pontifícia Universidade Católica de Goiás | e-ISSN 1983-7801 | Qualis B3

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