POVOS INDÍGENAS, COLONIALISMO E MEIO-AMBIENTE - ARQUEOLOGIA DA CONTEMPORANEIDADE NA AMAZÔNIA

Fabíola Andréa Silva

Resumo


No Brasil republicano, as políticas governamentais de desenvolvimento econômico – especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste – vêm sendo motivadas pela premissa da ocupação territorial como estratégia de expansão dos espaços produtivos, e caracterizadas por deslocamentos populacionais e exploração dos recursos naturais regionais. Neste texto pretendo mostrar como este colonialismo interno têm afetado a vida do povo indígena Asurini do Xingu – que vive na T.I. Koatinemo, estado do Pará – no que se refere à produção e uso de seus bens culturais. Ao mesmo tempo, quero ressaltar a importância de uma arqueologia da contemporaneidade, na região amazônica, tendo em vista as múltiplas questões que são subjacentes ao problema da mudança climática.

Palavras-chave


Colonialismo; Meio-ambiente; Amazônia; Arqueologia da Contemporaneidade; Asurini do Xingu

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DOI: http://dx.doi.org/10.18224/hab.v19i1.8966

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