ECOARQUEOLOGIA DOS NÃO-HUMANOS NO ENGENHO DO MURUTUCU: UM ENSAIO SOBRE A FAUNA E FLORA DA AMAZÔNIA COLONIAL

Diogo Menezes Costa

Resumo


O tempo, o espaço, e a materialidade do sítio ecoarqueológico histórico e patrimônio nacional Engenho do Murutucu – Belém – PA, são interpretados como palcos de um ensaio filosófico sobre a fauna e flora da Amazônia colonial e pós. Partindo de um possível diálogo entre o Perspectivismo Ameríndio e a Teoria Ator-Rede, propõe-se aqui uma ecoarqueologia formada pelos não-humanos, passados e presentes, do e no sítio ecoarqueológico. Onde espectros como o naturalismo ético e a especiação alopatrica, emergem em ressonância com imensos coletivos formados por quase-objetos, quase-sujeitos e híbridos actantes, com forma e função não simétricas para com os bens culturais e naturais.

Palavras-chave


Arqueoecologia; Ente Cultural e Natural; Naturalismo Ético; Especiação Alopatrica; Perspectivismo Ameríndio; Teoria do Ator-Rede

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DOI: http://dx.doi.org/10.18224/hab.v19i1.8864

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