RESSONÂNCIAS DA ARQUEOLOGIA PREVENTIVA NO RECONHECIMENTO DA PROFISSÃO DE ARQUEÓLOGO

Sura Souza Carmo, Flávia Cristina Costa Vieira

Resumo


Este artigo traça um paralelo geral entre o contexto político e econômico do país relacionado ao crescimento da Arqueologia Preventiva ou Arqueologia por contrato, observando sua influência na consolidação do campo da Arqueologia e na regulamentação da profissão de Arqueólogo (a). Na análise, se apresenta e se discute dados a respeito da quantidade de Portarias de Arqueologia emitidas no país entre os anos de 1992-2019, no intuito de refletir sobre a formação acadêmica de profissionais nestas regiões e os percalços enfrentados pelo IPHAN na gestão desse patrimônio. A metodologia utilizada foi o levantamento quantitativo do número de Portarias de Arqueologia Preventiva nos últimos vinte e sete anos (1992-2019) e a quantidade de cursos de Graduação e Pós-Graduação em Arqueologia existentes no país, a fim de discutir a demanda de profissionais no mercado brasileiro.

Palavras-chave


Arqueologia; Regulamentação; Arqueologia Preventiva; Campo

Texto completo:

PDF

Referências


BARCELOS, Arthur H. F. Arqueologia e patrimônio no Brasil: um dilema inacabado. Revista Tempos Acadêmicos (Dossiê Arqueologia Histórica), Criciúma (SC), n. 10, p. 4-25, 2012.

BEZERRA, Márcia. Bicho de nove cabeças: os cursos de graduação e a formação de arqueólogos no Brasil. Revista de Arqueologia, Belém, v. 21, n. 2, p. 136-154, 2008.

BOURDIEU, Pierre. O campo científico. In: ORTIZ, Renato. Sociologia. São Paulo: Ática, 1983.

BOURDIEU, Pierre. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico. São Paulo: Edunesp, 2004.

BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. Introdução, organização e seleção de Sergio Miceli. São Paulo: Perspectiva, 2010. (Coleção Estudos).

BRASIL. Lei nº 13.653 de 18 de abril de 2018.

BRASIL. Resolução CONAMA n° 001, de 23 de janeiro de 1986. Diário Oficial [da] União, 23 jan. 1986.

BRASIL. Portaria n° 230, de 17 de dezembro de 2002. Diário Oficial [da] União, 18 dez. 2002.

BRUNO, M. Cristina O. Musealização da Arqueologia: um estudo de modelos para o Projeto Paranapanema. Cadernos de Sociomuseologia, Lisboa: Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, 1999. V.1, n. 27.

CALDARELLI, Solange Bezerra; SANTOS, Maria do Carmo Monteiro dos. Arqueologia de contrato no Brasil. Revista USP: Dossiê Antes de Cabral, São Paulo, n. 44, p. 52-73, 2000.

CALDARELLI, Solange Bezerra. Problemáticas arqueológicas inéditas advindas de projetos de contrato: o caso do alto e médio vale do Paraíba paulista. Revista do CEPA, Santa Cruz do Sul (UNISC), v. 29, n. 41, p. 7-33, 2005.

CALDARELLI, Solange Bezerra. Arqueologia Preventiva e Licenciamento Ambiental de Projetos no Brasil. Praxis Archeologica, Revista Electrónica de Teoria, Método e Política da Arqueologia, Lisboa, n. 4, p. 21-26, 2007.

CALDARELLI, Solange Bezerra. Arqueologia em Grandes Empreendimentos: a importância e o desafio de manter um controle de qualidade científica. Cadernos do LEPAARQ – Textos de Arqueologia, Antropologia e Patrimônio, Pelotas (UFPEL), v.9, n.10, p. 35-63, 2008.

CALDARELLI, Solange Bezerra. Arqueologia Preventiva: uma disciplina na confluência da Arqueologia Pública e da Avaliação Ambiental. Habitus, Goiânia, v.13. n.1, p. 239-256, 2015.

CALDARELLI, Solange Bezerra; CÂNDIDO, Manuelina Maria Duarte. Desafios da

arqueologia preventiva: como gerir e socializar o imenso volume de materiais e documentos por ela produzidos? Arqueologia Pública, Campinas- SP, v.11, n.2, p. 186 -214, nov. 2017.

CALDERÓN DE LA VARA, V.; Y. JÁCOME; I. SOARES. Relatório do Projeto Sobradinho de Salvamento Arqueológico, Salvador, Convênio CHESF/A.A.P.H.BA, 1977.

CALI, Plácido. Políticas municipais de gestão do patrimônio arqueológico. Tese (Doutorado em Arqueologia) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.

DUARTE CÂNDIDO, Manuelina Maria. Gestão do patrimônio arqueológico no centro-oeste: contribuições para a Rede de Museus e Acervos de Arqueologia e Etnologia (REMAAE). Revista de Arqueologia da Sociedade de Arqueologia Brasileira-SAB, v. 26, n. 2, p. 132-140, 2014.

CARNEIRO, Carla Gibertoni. Ações educacionais no contexto da arqueologia preventiva: uma proposta para a Amazônia. Tese (Doutorado em Arqueologia) -Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.

CHUVA, Márcia Regina Romeiro. Os arquitetos da memória: sociogênese das práticas de preservação do patrimônio cultural no Brasil (anos 1930-1940). Rio de Janeiro: Ed. da UFRJ, 2009.

CHUVA, Márcia Regina Romeiro. Por uma História da noção de patrimônio cultural no Brasil. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Brasília, n. 34, p.147-166, 2012.

COMERLATO, Fabiana; COSTA, Carlos Alberto Santos. Sugestões para educação patrimonial em arqueologia por contrato. Canindé: Revista do Museu de Arqueologia de Xingó, Xingó, nº 9, p. 195-200, 2007.

COSTA, Carlos Alberto Santos. A legalidade de um equívoco: acerca dos processos legais para a guarda de materiais arqueológicos em instituições museais. In: XIV CONGRESSO DA SOCIEDADE DE ARQUEOLOGIA BRASILEIRA. Anais... Florianópolis, 2007.

COSTA, Carlos Alberto Santos. Um grito de sobrevivência: agenciamento das bases jurídicolegais de endosso institucional para a guarda e pesquisa de acervos arqueológicos e a militância político-acadêmica das comunidades arqueológica e museológica. Rev. Arqueologia Pública, Campinas (SP), v.11, n.2, p. 215-253, nov. 2017.

CNA/IPHAN. Portarias de Pesquisas Arqueológicas Publicadas no DOU - 1991 a 2020. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/cna/pagina/detalhes/1375/ Acesso em: 10 fev. 2020.

FUNARI, Pedro Paulo; ROBRAHN-GONZÁLEZ, Érika M. Ética, capitalismo e arqueologia pública no Brasil. História, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, v. 27, n. 2, p.13-30, 2008.

IBGE. Divisão Regional do Brasil Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/geografia/default_div_int.shtm?c=1.Acessoem: 10 abr. 2019.

IPHAN. Relatório de Gestão 2012. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Relat%C3%B3rio%20de%20Gest%C3%A3o%202012.pdf Acesso em: 10 abr. 2019.

IPHAN. Banco de Portarias do IPHAN. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/sgpa/?consulta=bpa Acesso em: 10 abr. 2019.

IPHAN. Cartas Patrimoniais. 3. ed. Rio de Janeiro: IPHAN, 2004.

IPHAN, Política de preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro completa 80 anos. 2017a. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/80anos/noticias/detalhes/3949/politica-de-preservacao-do-patrimonio-cultural-brasileiro-completa-80-anos. Acesso em: 10 abr. 2019.

IPHAN. Atlas Arqueológico. 2017b Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/cna/pagina/detalhes/1334/ Acesso em: 10 abr. 2019.

MENDONÇA, Elizabete de Castro. Musealização do patrimônio arqueológico em Sergipe: um estudo sobre endosso institucional e gestão de acervos coletados. In: XIII ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO. Anais... Rio de Janeiro: Associação Nacional de Ciência da Informação / Fundação Oswaldo Cruz, 2012. v. 13.

MONTICELLI, Gislene. Arqueologia em obras de engenharia no Brasil: Uma crítica aos contextos. Tese (Doutorado em História) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005.

NEVES, Eduardo Góes. Existe algo que se possa chamar de arqueologia brasileira? Estudos Avançados, São Paulo, v. 29, n. 83, p. 7-17, 2015.

PENIN, André. Academia, Contrato e Patrimônio: visões distintas da mesma disciplina. Tese (Doutorado em Arqueologia) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.

PEREIRA, Edithe O Museu Goeldi e a pesquisa arqueológica: um panorama dos últimos dezessete anos (1991-2008). Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v.4, n. 1, p.171-190, 2009.

PROUS, Andre. Arqueologia Brasileira. Brasília: Ed. da UnB,1992.

RIBEIRO, Loredana, Auto-regulação da arqueologia brasileira: Responsabilização, credibilidade e fortalecimento profissional. Jornal Arqueologia em Debate, v. 1, n 1, mar. 2010.

SANTOS, Maria do Carmo Mattos Monteiro dos. Musealização em projetos de arqueologia consultiva: perspectivas patrimoniais para a Estrada de Ferro Carajás (MA/PA). Tese (Doutorado em Museologia) - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa, 2011.

SEDA, Paulo. A Graduação em Arqueologia da UERJ - Um curso em construção. Habitus, Goiânia, v. 12, n.2, p. 221-238, jul./dez. 2014.

SEDA, P.; BEZERRA DE ALMEIDA, M. O Curso de Graduação em Arqueologia da UNESA e a Formação de Arqueólogos no Brasil. In: IX CONGRESSO DA SAB. RIO DE JANEIRO. Anais... SAB, 1997. CD-ROM.

SIMIELLI, Maria Elena. GEOATLAS. São Paulo: Ática, 2010.

SOUZA, Alfredo M. de. História da Arqueologia Brasileira. Antropologia, Instituto Anchietano de Pesquisas, v. 1, n. 46, p.11-157, 1991.

VIANA, Sibeli; SYMANSKI, Luís Cláudio. O (re) ingresso da Arqueologia no Ministério da Educação. Jornal Arqueologia em Debate, v. 1, n 1, mar. 2010. Disponível em: http://www. sabnet.com.br/jornal/component/content/article/1-temas-em-debate/70-o-re-ingresso-da-arqueologia-no-ministerio-da-educacao. Acesso em: 10 maio 2019.

ZANETTINI, Paulo; WICHERS, Camila A. de Moraes. Arqueologia Preventiva e o ensino de Arqueologia no Brasil. Habitus, Goiânia, v. 12, n. 2, p. 239-256, jul./dez. 2014.




DOI: http://dx.doi.org/10.18224/hab.v18i1.8093

Direitos autorais 2020 Sura Souza Carmo

Rodapé - Habitus

Este obra está licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição Sem Derivações 4.0 CC BY-NC-ND


HABITUS| Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia | Pontifícia Universidade Católica de Goiás | e-ISSN 1983-7798 | Qualis CAPES Preliminar 2019 = A3

Visitantes - (04/09/2017 - 25/06/2020)

Fonte: Google Analytics.