SOBRE SOCIALIZAÇÃO E MUSEALIZAÇÃO NA GESTÃO DOS BENS ARQUEOLÓGICOS

Alejandra Saladino, Luana Campos

Resumo


O campo do patrimônio cultural é multidisciplinar e exige comunicação entre as áreas para a eficácia das políticas de preservação. Devido à sua multivocalidade, é tarefa complexa de executar. Por isso, nos interrogamos sobre as bases para o estabelecimento de um canal de diálogo claro. Destarte, o objetivo deste artigo é apresentar uma análise sobre os significados e a aplicação de dois conceitos-chave na preservação dos bens arqueológicos, nomeadamente “musealização” e “socialização”. Nossa análise, fundamentada teoricamente no institucionalismo histórico, respeita um recorte temporal específico: a criação do CNA/IPHAN, em 2009. A partir de um exame quantitativo, refletimos sobre as escolhas institucionais relacionadas ao uso dos termos supracitados. Os resultados deste estudo indicam a preferência, no campo do patrimônio cultural, pelo termo “socialização” associado ao patrimônio arqueológico, a consolidação da Musealização da Arqueologia como campo transdisicplinar e, por conseguinte, o alinhamento do discurso e práticas patrimoniais à Arqueologia Social.

Palavras-chave


Musealização; Socialização; Bens Arqueológicos; Instituição; Institucionalismo Histórico

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DOI: http://dx.doi.org/10.18224/hab.v18i2.7996

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