ALDEAMENTOS MISSIONÁRIOS NO ESTADO DO MARANHÃO E GRÃO- PARÁ (1700-1750)

Rafael Ale Rocha

Resumo


O presente artigo pretende analisar a formação dos aldeamentos missionários no Estado do Maranhão e Grão-Pará (Amazônia Portuguesa) durante a primeira metade do século XVIII. O estudo está baseado em bibliografia específica e documentação diversa (fontes primárias) – especialmente as cartas patentes dos oficiais indígenas, cronistas, legislação e correspondências diversas. O estudo objetiva descrever e analisar, do ponto de vista dos atores portugueses (governadores, missionários, entre outros), a estratégia de instalação dos aldeamentos enquanto instituição de ocupação e consolidação do território colonial português numa conjuntura específica: os conflitos fronteiriços que marcaram as relações entre as potências coloniais europeias naquele rincão da América durante o período mencionado (Portugal, França, Holanda e Espanha). Em síntese, pretendemos destacar, a importância dos aldeamentos missionários e a imprescindível imbricação entre políticas indígenas (destacando-se, portanto, também a agência dos índios) e políticas indigenistas para a consolidação do império português na região.

Palavras-chave


Amazônia Colonial; Aldeamentos Missionários; Fronteiras Coloniais; Políticas Indígenas; Políticas Indigenistas

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DOI: http://dx.doi.org/10.18224/hab.v17i2.7458

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