14ª ESTAÇÃO: O SOM E O SILÊNCIO

Custódia Annunziata Spencieiri de Oliveira

Resumo


O presente estudo pretende mostrar como o som e o silêncio, trabalhados como elementos de significância no conto “Décima Quarta Estação”, do escritor goiano Miguel Jorge, foram elementos, para além do significado, capazes de formar um enredo de uma narrativa e induzir a posterior composição de uma ópera. Depois que Saussure reconheceu na natureza do signo linguístico o significado e o significante, a questão da sonoridade da palavra tornou-se um ponto bastante evidenciado nos estudos literários contemporâneos. A descentralização, a perda da referência (Derrida, 1967 e 1965), a palavra como elemento sonoro (Wittgenstein, 1989) tem sido observada por diversos teóricos e utilizada por escritores como elemento de produção artística. As propriedades musicais do som e do ritmo têm sido exploradas desde sempre em poemas e, na contemporaneidade, a altura, a intensidade e o timbre foram mais cultivados. Os estudos comparados sobre música e poema tornaram-se comuns e comprovados. Encontrar essas características na prosa é mais raro, dado à característica linear que a determina, fazendo sobressair o significado. No entanto, a sonoridade do signo, mesmo na linearidade da narrativa, pode tornar-se elemento de significância. Em Décima Quarta Estação, Miguel Jorge minimiza o referente na palavra, expondo sua sonoridade. As propriedades do som são evidenciadas e é por meio delas que o leitor vai formando suas concepções e estabelecendo um enredo. Como o som carrega sem si, o silêncio, (Wisnik, 2005) este também se torna um elemento de significância no conto.

Palavras-chave


Narrativa. Sonoridade. Desconstrução. Miguel Jorge. Narrative. Loudeness. Desconstruction.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18224/gua.v8i1.6461

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GUARÁ | Departamento de Letras | Pontifícia Universidade Católica de Goiás | e-ISSN 2237-4957 | Qualis B2

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