ESQUERDA CATÓLICA, PENTECOSTAIS E ELEIÇÕES NO BRASIL: UM CONFLITO ENTRE PROJETOS ANTAGÔNICOS

Alberto da Silva Moreira

Resumo


O tema central desse ensaio é examinar o papel e a influência da Igreja Católica, e principalmente dos chamados católicos de esquerda, aqueles identificados com a teologia da libertação e com a opção pelos pobres, a partir do seu envolvimento nas eleições presidenciais. Para fazer uma leitura mais distanciada, o ensaio segue uma linha de tempo relativamente longa, que vai dos tempos da ditatura (1964) até a última eleição presidencial de 2018. Os trabalhos históricos de apoio mais importantes são Mainwaring, Serbin, Gomes de Souza, Oliveira e Azevedo. Mesmo correndo o risco de realizar saltos bruscos, espera-se que esse olhar distanciado permita revelar se existem tendências ou novidades históricas consistentes, se se pode afirmar possíveis continuidades ou rupturas nas formas pelas quais os católicos em geral, e os católicos de esquerda em particular, se relacionam com a política no Brasil, especialmente através do seu envolvimento nas eleições presidenciais. Minha hipótese de trabalho neste ensaio, é que a Igreja Católica, no mais tardar desde as eleições de 2018, perdeu para as igrejas pentecostais o lugar que tradicionalmente ocupava, de agente religioso mais importante no campo político do país. Minha conclusão é que agora, além de ter como opositora a tradicional direita católica, o setor que estou chamando de esquerda católica terá que enfrentar também uma direita evangélica, provavelmente ainda mais poderosa do que a primeira.

Palavras-chave


Esquerda católica; Política; Igreja Católica; Igrejas Pentecostais.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18224/cam.v17i4.7810

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