RELIGIÃO E EPIDEMIA: LEGITIMAÇÕES RELIGIOSAS PARA O SOFRIMENTO

Fernanda Lemos, Zuleica Dantas Pereira Campos

Resumo


Em 2015, a Organização Mundial da Saúde inseriu o Brasil no centro de uma emergência global, em detrimento dos casos de infecção por Zika Vírus. A partir deste ano, mulheres acometidas por esta epidemia transmitiram o Zika para os fetos durante a gestação. A consequência teratogênica da infecção fora a ‘Síndrome Congênita por Zika Vírus’, popularmente conhecida como ‘casos de microcefalia’. Passados três anos do surto epidêmico, mulheres, principalmente nordestinas, tiveram suas biografias interferidas pelas consequências da doença. Portanto, esse ensaio analisa a realidade social de uma maternidade marcada pela Síndrome Congênita, bem como seu enfrentamento diante da instabilidade e do sofrimento gerados por este advento. Estamos nos perguntando, portanto, se a religiosidade contribui na elaboração de legitimações para ressignificar a realidade social. Para tanto, acompanhamos e entrevistamos (2017-2018) mães que tratavam seus filhos em uma Fundação de Apoio à Pessoa com Deficiência na cidade de João Pessoa/PB, com objetivo de observar suas religiosidades e o enfrentamento social da doença. Constatou-se que o sofrimento trazido com a doença mudou radicalmente a biografia dos sujeitos, isso posto, as produções teodicéicas contribuíram no enfrentamento dessa realidade ao ressignificar suas trágicas experiências.

Palavras-chave


Religião; Teodiceia; Sofrimento social; Epidemia; Microcefalia.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18224/cam.v18i2.7796

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