TECNOLOGIA SOCIAL E ECONOMIA SOLIDÁRIA NO DESENVOLVIMENTO DESIGUAL: LIMITES E POSSIBILIDADES

Nelson Afonso Garcia Santos, Ivo Marcos Theis

Resumo


O ponto de partida deste estudo é a constatação de que o desenvolvimento capitalista é em sua natureza desigual. A desigualdade econômica e social é geograficamente identificável, seja em âmbito global ou regional. Visando participar do debate sobre as possibilidades de diminuição das desigualdades decorrentes do modo de produção capitalista, buscamos identificar, primeiramente, na bibliografia sobre o tema, aproximações entre tecnologia social e economia solidária, para, em seguida, examinar experiências de implantação de tecnologia social em âmbito local a partir da Fundação Banco do Brasil. Os dados selecionados dizem respeito à economia solidária no sul do Brasil, com especial atenção para a experiência da ENLOUCRESCER, na cidade de Blumenau. Os resultados mostraram que a Economia Solidária vem avançando no Brasil ao longo dos últimos anos, com projetos inovadores e visando contribuir para um desenvolvimento local/regional mais justo e mais sustentável. O estudo sobre a ENLOUCRESCER permitiu verificar que iniciativas locais comprovam o caso mais geral, cabendo acrescentar apenas que parte do “êxito” pode ser atribuído à Incubadora Tecnológica de Economia Solidária/FURB, junto à qual encontrou apoio e assessoria. As conclusões são de que tecnologias sociais podem minimizar desigualdades locais e regionais, contribuindo para o aumento da renda das famílias envolvidas e possibilitando-lhes acesso a produtos e serviços antes não disponíveis.

Palavras-chave


Desenvolvimento geográfico desigual; economia solidária; ENLOUCRESCER; tecnologia social

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DOI: http://dx.doi.org/10.18224/baru.v5i2.7502

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BARU | Revista Brasileira de Assuntos Regionais e Urbanos | Mestrado em Desenvolvimento e Planejamento Territorial da PUC Goiás | e-ISSN 2448-0460 | Qualis CAPES Preliminar 2019 = B1

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